
O preço da pressa: como a cultura do imediato afeta as marcas
5 de dezembro de 2025Você já teve a sensação de que o marketing está mudando rápido demais para acompanhar?
Nos últimos anos, marcas e consumidores passaram por transformações profundas, mas 2026 chega com uma nova camada de complexidade. A Kantar aponta que estamos entrando em uma fase em que tecnologia, comportamento e criatividade deixam de ser caminhos paralelos e finalmente passam a caminhar juntos — influenciando desde a forma como pensamos campanhas até a maneira como o público decide o que comprar.
Vivemos uma era em que a velocidade das mudanças não é mais exceção, é a regra. E, diante disso, a grande questão não é se as marcas vão se adaptar, mas sim como elas vão fazer isso com consciência, consistência e estratégia.
Agentes de IA: o novo ponto de contato que redefine a decisão de compra
Se antes as decisões eram tomadas por pessoas observando anúncios, recomendações ou experiências diretas, 2026 inaugura definitivamente o ciclo em que os algoritmos passam a atuar como intermediários ativos entre marcas e consumidores.
Assistentes digitais filtram opções, antecipam necessidades, organizam preferências e até sugerem produtos de forma autônoma. Isso significa que, para muitas decisões de compra, o primeiro contato não é mais humano — é tecnológico.
E aqui está o desafio: uma marca que não se explica bem para uma IA dificilmente conseguirá se explicar para o consumidor.
Clareza, organização e consistência deixam de ser diferenciais e se tornam requisitos básicos.
Conexão humana mediada por máquina: o novo equilíbrio necessário
A IA já decide o que vemos no feed, quais vídeos aparecem primeiro e até quais marcas parecem “mais próximas” de nós. Ela influencia silenciosamente quase toda a nossa jornada digital. Ainda assim, dentro desse cenário, a Kantar reforça que a decisão final continua sendo humana, emocional e subjetiva.
Isso cria um ponto de convergência poderosíssimo:
as marcas agora precisam seduzir a máquina e encantar o humano ao mesmo tempo.
É o equilíbrio entre estrutura e sensibilidade, entre lógica e significado. É o desafio de produzir conteúdos que funcionem nos dois mundos — o do algoritmo e o da emoção.
Dados sintéticos, VR e novas fronteiras de conhecimento sobre o consumidor
2026 também inaugura uma era em que dados comportamentais deixam de depender apenas de interações reais. Com o avanço de modelagens sintéticas, realidade virtual, simulações preditivas e integrações entre voz, vídeo e IA, as marcas passam a ter acesso a um nível de compreensão do público que antes era impensável.
Essas tecnologias permitem observar padrões que não aparecem nos relatórios tradicionais e criar audiências mais profundas, mais contextualizadas e muito mais alinhadas ao comportamento real de consumo.
Mais do que dados, as marcas ganham leitura de futuro.
De otimização criativa para inteligência criativa: a virada mais importante do ano
A criatividade sempre foi o espaço da intuição, da sensibilidade e do olhar humano. Só que agora ela também se apoia em velocidade, dados e tecnologia — ampliando alcance, reduzindo tempo e fortalecendo relevância.
A Kantar aponta que estamos entrando na fase em que a criatividade não será apenas otimizada, mas inteligente.
Isso significa combinar:
- agilidade da IA
• profundidade dos dados
• intuição humana
• narrativa emocional
É nessa fusão que surgem ideias mais completas, consistentes e culturalmente potentes.
Inclusão autêntica como eixo de crescimento — e não como estética
Não há mais espaço para diversidade performática.
O consumidor de 2026 está mais consciente, mais crítico e menos disposto a aceitar narrativas que soam como obrigação. Ele percebe quando uma marca abraça causas por conveniência, assim como percebe quando existe propósito real por trás das decisões.
A tendência mostra que crescem as marcas que tratam inclusão como princípio, não como pauta.
A autenticidade, mais do que nunca, é o que sustenta conexão no longo prazo.
Microcomunidades: o novo centro de gravidade das conversas
As redes sociais deixaram de ser uma praça pública e se transformaram em vários pequenos espaços mais íntimos, profundos e intencionais. A Kantar mostra que o futuro da relevância está nas microcomunidades — grupos menores, engajados e extremamente conectados por interesses, valores e visões de mundo.
Em 2026, relevância não virá de quem falar mais alto, mas de quem falar com quem realmente importa.
É o fim do alcance vazio e o início da presença significativa.
O que tudo isso molda para as marcas em 2026
A combinação dessas tendências deixa uma mensagem clara: 2026 é o ano em que estratégia, clareza e direção vão valer mais do que pressa, volume e ruído.
Marcas precisarão ser mais intencionais em escolhas, mais maduras na leitura de cenário e mais conscientes na forma de se relacionar com tecnologia e pessoas.
Não é sobre estar em todos os lugares.
É sobre estar onde existe sentido, propósito e impacto real.
Para onde olhar agora
Se 2025 foi marcado pela velocidade,
2026 será marcado pela profundidade.
Mais entendimento.
Mais precisão.
Mais consciência.
Mais estratégia.
E, principalmente, mais cuidado com o que sustenta uma marca no longo prazo: sua narrativa, sua identidade, sua visão e sua capacidade de construir relações reais.
No blog da VBPO, você encontra reflexões que ajudam marcas a crescer com consistência, vender com intenção e se posicionar com inteligência.

